Carmem Miranda 101

Postado em música com as tags em fevereiro 9, 2010 por 171nalata

Há 101 anos nascia em Portugal a inacreditável Carmem Miranda. Na feliz definição de Ruy Castro, a brasileira mais famosa do século XX. Aqui no blog já houve ocasiões em que falei sobre como vejo a importância dela na história da nossa música, e também rebati as idiotices sobre ela ter se americanizado. Hoje quero só falar das qualidades dela.

Carmem Miranda não foi a cantora mais potente que tivemos, nem a que teve a voz mais bonita. Há um punhado de cantoras que são superiores nos dois itens (Clara Nunes, Elisete Cardoso e Elis Regina, por exemplo). Só que Carmem Miranda era simplesmente insuperável em termos de ginga, ritmo e malícia. Aproveitou com perfeição o divino repertório de sambas e marchas de seu tempo para ensinar aos brasileiros o que era música brasileira.

Mas tem mais. Ela e as câmeras tinham uma paixão recíproca incrível. Ela era perfeita para cantar e dançar em frente a uma tela. Para nossa desgraça, a produção nacional de filmes da época era desastrosamente ruim, as imagens eram horríveis e os filmes ainda por cima desapareceram ou muito mal se localizaram algumas partes semi-destruídas. Nesse sentido a ida dela para os EUA teve um grande lado positivo. Muitas vezes cantou coisas abaixo do nível de seu repertório brasileiro, e os acompanhamentos são mais para rumba, mas nos possibilitou vê-la maravilhosa, insuperável nas telas de cinema.

Abaixo vão alguns exemplos. Os dois primeiros em filmes nacionais. Particularmente lamentável é “Querido Adão”, em Alô Alô Carnaval, com péssima imagem e sincronização, mas com Carmem Miranda atuando e cantando de forma espetacular; depois “O Que é Que a Baiana Tem?”, de Banana da Terra, menos ruim. Depois duas cenas da fase norte-americana. Primeiro “Tico-Tico no Fubá”, com uma atuação avassaladora em canto e performance corporal, a meu ver um dos pontos altos de sua carreira. E depois “South American Way”, que fez a fama dela nos states.

VERME BRANCO

Beerfest – Esse vale a pena

Postado em Uncategorized com as tags , , , em fevereiro 9, 2010 por 171nalata

Alguns filmes americanos chegam a ser previsíveis. Seja lá qual for a situação, um americano ou um grupo de americanos resolverá. Seja salvar o mundo de alienígenas, vencer uma guerra. É mais normal ainda ter inimigos russos, alemães, chineses, etc., sempre em memória de antigos conflitos políticos militares. Mas entre inúmeros destes filmes um eu sou fã:
BeerFest!
Não foge à regra. Norte americanos que vão à Alemanha, são descriminados por uma parte da família, ficam conhecendo um campeonato mundial de cerveja(jogos de bebedeira), voltam aos EUA, montam uma equipe e voltam para ser campeões. Tudo conforme pede o protocolo de produções americanas. Mas deixando esse senso chato de lado, recomendo o filme. Além de muito engraçado é sem dúvidas um dos melhores para se assistir bebendo todas, aliás, não recomendo assistir sem ter na geladeira algumas latas. A vontade de beber durante e depois é muito grande.
Abaixo um pequeno trailer do filme que pode ser encontrado em locadoras ou baixado na net.

E abaixo um vídeo-trailer do concurso real que rola por lá. Seria bom poder acompanhar uma copa do mundo assim na TV.

Não tenho dúvidas que a seleção da Suécia seria a mais adorada.

Barba Ruiva

Clementina 109

Postado em música com as tags em fevereiro 7, 2010 por 171nalata

Há 109 anos nascia, em uma fazenda do vale do paraíba fluminense, a inacreditável Clamentina de Jesus. Nossa incontornável necessidade de classificar tudo faz com que em geral ela seja vista como sambista. Mas não acho que seja uma definição muito precisa. A meu ver ela está mais ligada a elementos anteriores ao samba que conhecemos. Quando a ouço não penso nos bairros pobres do rio de janeiro, mas nos escravos do vale do paraíba. Pra mim o que ela faz está mais no século XIX do que no samba.

Clementina realmente chegou ao conhecimento público apenas nos anos 1960. O que me faz imaginar o choque que deve ter causado em quem a ouviu pela primeira vez. Sua voz potentíssima, cantando músicas que sabe deus como sobreviveram por tanto tempo apenas na tradição oral, deve ter sido um baque tremendo.

Abaixo algumas imagens da inacreditável Clementina cantando. Só vendo e ouvindo pra crer.

VERME BRANCO

Uriah Heep

Postado em música com as tags , em fevereiro 6, 2010 por 171nalata

Uma banda muito legal é pouco conhecida é o Uriah Heep, que há 40 anos lançava o seu álbum de estréia, Very Heavy, Very Humble. Acabou merecendo menos destaque do que merecia por uma infelicíssima coincidência: ser contemporânea exata do Deep Purple, banda com quem tinha vários elementos em comum, mas que lhe era claramente superior.

Mas o Uriah Heep tinha qualidade o suficiente para ser lembrado quatro décadas depois. No seu auge (70-75, exatamente como o Deep Purple) a banda tinha um som excelente e criativo, ótimas composições e funcionava como um relógio. A linda voz de David Byron se alternava com a anestesiante guitarra de Mick Box e o furioso teclado de Ken Hensley. A cozinha era perfeita e dava a sustentação ideal ao som preciso da banda, com Lee Kerslake na bateria e o extraordinário Gary Thain no baixo (fórmula alias semelhante à do Purple, embora aí hajam diferenças na importancia de cada instrumento no som final da banda).

O primeiro álbum era bem legal. O segundo, Salisbury, nem tanto. O terceiro, Look At Yourself (1971) é absolutamente fenomenal, assim como seu sucessor, Demons And Wizards (1972). São dois álbuns absolutamente imperdíveis para quem curte rock’n'roll de qualidade. Naqueles anos eles foram uma grande banda, e aqueles dois álbuns seriam assinados com prazer por qualquer gigante do rock.

Abaixo, como degustação, duas faixas clássicas. Primeiro a excelente “Gipsy”, primeira faixa do primeiro álbum, um cartão de visitas para não deixar dúvidas de com que estamos lidando. Depois seu maior clássico, “Easy Livin’”, exemplo perfeito de como a banda em seu auge funcionou como o mais perfeito relógio do mundo.

VERME BRANCO

Grande Zé Pilintra!

Postado em Uncategorized em fevereiro 5, 2010 por 171nalata

A dica musical de hoje é um ponto de macumba. Eu sei, parece estranho, dito assim soa como coisa puramente religiosa. Mas acredite, vale a pena conhecer a aventura de Zé Pilintra. Um ritmo lindíssimo, uma interpretação candente. Meu Deus do céu, é sensacional. Recomendadíssimo!

VERME BRANCO

Quando Um Disco Diferente Aparece

Postado em música com as tags em fevereiro 4, 2010 por 171nalata

 

Há 25 anos era janeiro de 1985. Eu estava de férias escolares. Um dia encontrei na rua um colega de escola e sentamos pra por o papo em dia. No meio da conversa casual, ele me pergunta se eu tinha ouvido o disco novo dos Titãs. Disse que não. O colega disse algo como “nossa, é muito estranho!”. Até ali aquela banda não me dizia grande coisa. Era uma bandinha pop que havia gravado dois discos cheios de musiquinhas pra tocar no rádio. Mas a referência do meu colega Luizão me chamou a atenção. Eu tinha de ouvir aquilo. Fui na Mesbla e comprei uma cópia.

O disco rodou e rodou no meu estéreo, e roda até hoje. Até hoje não consigo acreditar naquilo. Cabeça dinossauro é, do início ao fim um soco na cara, uma coisa absurda. Todas as músicas são ótimas, cada uma melhor que a outra. Há um certo espírito punk, com ataques àquilo que então se chamava “instituições burguesas” (Igreja, família, polícia, cultura de massas, etc.), mas não só isso. A experimentação poética de Arnaldo Antunes estava em alta, e com ótimos resultados. Até com a intolerável poesia concretista ele se sai muito bem: “O Que” é disparada a melhor produção do gênero, muito acima desses palhaços que povoam os cadernos de cultura dos jornais brasileiros há décadas sem fazer nada de interessante.

Esse é o tipo de coisa que me lembra aquelas crianças de vinte e poucos anos, que acham que a década de oitenta era marcada pela breguice apenas. Estavam nas fraldas, nem se lembram de nada, mas pegam uma caricatura e transformam em verdade, estigmatizando de forma irresponsável toda uma geração (a minha). Para quem pensa isso, tenha o saco chutado pelos vídeos abaixo. E depois compre o ótimo Cabeça Dinossauro, o álbum que chegou como um raio de sol mostrando maravilhas que não estávamos vendo.

VERME BRANCO

Count Basie, The King

Postado em música com as tags em fevereiro 4, 2010 por 171nalata

Devo confessar que não tenho paciência com jazz. Não tanto pela música em si, que conheço pouco, e já pude identificar algumas coisas que gostei muito. O que mata são os fãs. Acham que jazz é a única coisa que presta no mundo (alguns toleram música erudita, ou bossa-nova), e que qualquer outro tipo de música é coisa de primatas brincando com instrumentos barulhentos e produzindo apenas barulho insuportável. Imagine voce o paradoxo, uma música que nasceu completamente estigmatizada como coisa de negros e imigrantes pobres hoje tem um público de alta classe cheio dos mesmos preconceitos, só que contra outros tipos de música.

 Eu sei, eu deveria ignorar isso e me concentrar na música, que é o que realmente importa. Até porque há coisas que gosto muito e não tem lá um público muito melhor. Tenho tentado, um dia me aprofundarei nesse gênero como ele parece merecer. Por ora, uma das coisas muito legais que pude conhecer é Count Basie. Excelente, cheio de ritmo, sonoridade ótima, músicos extraordinários, ótimas composições. Coisa fina mesmo:

VERME BRANCO

Ernesto Nazareth

Postado em música com as tags em fevereiro 4, 2010 por 171nalata

Há 76 anos era encontrado na zona oeste do Rio de Janeiro o corpo sem vida do monumental compositor Ernesto Nazareth. Tinha 70 anos completos e havia fugido de uma casa de saúde mental onde estava internado.

Nazareth era aquele tipo de gênio inclassificável. Os compêndios introdutórios sobre música brasileira usam um termo esdrúxulo para definir sua música “tango brasileiro”. Que por não ter rigorosamente nada a ver com o tango argentino e ainda só ser aplicado a ele, só serve pra confundir. Nazareth é um dos pais fundadores do maravilhoso choro. Não tem ainda todas as características do gênero, mas é um de seus pais. Mais que isso, é um dos definidores da melhor tradição musical brasileira.

No fundo esse tipo de discussão não deixa de ser uma certa perda de tempo. Qual o rótulo que vamos dar a alguém, quem influenciou quem, etc. Nunca me conformei com pessoas sérias que perdem muito tempo com isso. Melhor ouvir suas maravilhosas composições, geralmente para piano. Nazareth era grande, extraordinário, dos maiores e mais importantes compositores que já passaram por este país.

Sendo um compositor tão antigo, é surpreendente que tanta coisa dele esteja no youtube (embora infelizmente na maior parte dos casos em versões fraquíssimas), o que não deixa de ser um indicador de sua importância. Depois de muito ouvir escolhi três vídeos. Primeiro, a linda versão de Nara Leão para “Odeon”, com letra de Vinícius de Morais. Depois a ótima Maria Teresa Madeira interpretando ao piano “Fon Fon” e “Odeon”. Finalmente a melhor versão que consegui encontrar para a sensacional “Brejeiro” executada por conjunto de choro (há outras versões bem melhores, mas no youtube não encontrei). É um ótimo começo. Divirta-se ouvindo esse gênio da nossa música.

VERME BRANCO

Silvio Caldas

Postado em música com as tags em fevereiro 3, 2010 por 171nalata

Há 12 anos a música brasileira perdia um nome histórico. Morria aos 90 anos o grande cantor Sílvio Caldas. Apenas para situar, basta dizer que na chamada “Era de Ouro” de nossa música ele compunha o grupo dos “quatro grandes”, ao lado de Orlando Silva, Carlos Galhardo e Francisco Alves. Não era o meu favorito, mas é mais questão de estilo. Prefiro o despojamento de Orlando Silva ou a potência de Chico Alves, mas evidentemente Sílvio Caldas era daqueles cantores que nunca se esquece.

Abaixo duas de suas criações mais famosas. Infelizmente não encontrei no youtube nenhuma gravação mais antiga dele, na qual estivesse no auge da forma. Mas ao contrário de outros monstros de sua geração, Sílvio Caldas conseguiu envelhecer dignamente como cantor. Assim, não há nada de deprimente ao ouví-lo cantando por volta dos 70 anos. Pelo contrário. Com toda a sua tarimba e voz lindíssima, o velho Sílvio ainda conseguia emocionar. É só clicar abaixo pra ver.

Primeiro, “Chão de Estrelas”, dele e do poeta Orestes Barbosa, com toda a certeza a sua criação mais famosa. Depois a marchinha “As Pastorinhas”, sucesso avassalador de Noel Rosa e João de Barro na voz dele mesmo. Ouça, curta e veja porque todos os seresteiros do Brasil o imitam. Ele era o cara.

VERME BRANCO

Anoiteceu em PoA

Postado em música com as tags em fevereiro 1, 2010 por 171nalata

Uma banda bem controvertida da geração pop-rock brazuca dos anos 80 eram os Engenheiros do Hawaii. Muitos os idolatravam, em função da boa qualidade de seus músicos (principalmente em um gênero musical que não costuma dar qualquer importancia a isso) e de suas excelentes composições. Outros abominavam o estilo pretensioso de seu líder, Humberto Gessinger, em particular suas letras repletas de trocadilhos.

Eu gostava deles na época, e continuo gostando. Acho que das bandas daquela geração, é uma das que melhor se ouvem hoje. Enquanto muito do som daquela época parece completamente datado, os discos que o Engenheiros gravou naquele período se escutam bem.

Uma música bem legal deles é “Anoiteceu em Porto Alegre”. Música que não tocou no rádio, não fez sucesso, mas tem um som agradável. E num dia pós derrota em gre-nal, é uma delícia ouvir os trechos em que aparece a voz de Armindo Antonio Ranzolin, o maior narrador de todos os tempos, narrando grandes títulos gremistas.  É a dica musical de hoje.

VERME BRANCO