O Brasileirão chega à última rodada com quatro times disputando o título, o que é muito legal. No entanto, seria estupidez não admitir que na prática a disputa está mais restrita. Na hipótese improvável de o Flamengo não bater os reservas do Grêmio no maracanã lotado, o Internacional não deixará de vencer o rebaixado Santo André em casa. Palmeiras e São Paulo, que tiveram o título nas mãos, se aferram apenas à matemática. Não é impossível, mas é completamente improvável que cheguem lá.
Entre os postulantes, acho que o título do Flamengo é o que mais bem faz ao futebol. Reasgata um tradicionalíssimo clube cheio de títulos, que tem a maior torcida do país, mas que parecia conformado a um papel coadjuvante no plano nacional. Traz de volta o Rio de Janeiro ao centro do futebol brasileiro, algo que eu cheguei seriamente a duvidar que fosse acontecer de novo.
Mas também não se pode esquecer o tipo de futebol que os postulantes ao título praticam. São Paulo e Palmeiras têm a mesma receita: acham que para ser campeão é preciso não jogar futebol. Nessa visão, a melhor maneira de vencer é marcar muito, e quando se toma a bola sai todo mundo correndo em alta velocidade tentando jogar a bola de qualquer jeito na área e rezar para sobrar pra alguem botar pra dentro.
O Internacional tinha jogadores para praticar algo mais interessante, mas renunciou a isso. Nos tempos de Tite ficavam 8 jogadores do meio de campo para trás esperando o trio ofensivo resolver sozinho, o que eventualmente faziam até de forma encantadora. Com Mário Sérgio o trio se resumiu a uma dupla. Ficou ainda mais pobre.
O Flamengo não tem nada demais, não encanta ninguém. Mas pelo menos tenta jogar futebol. Como não é um time dos mais fortes, nem sempre consegue. Mas sempre tenta. Marcar na bola, tocar a criança de pé pra pé, esperar o momento de definir, esse tipo de coisa. Não é nada demais, mas é algo que eu consigo reconhecer como futebol. Não um grande futebol, mas futebol. Já é alguma coisa.
O único problema é que odeio o Flamengo de forma visceral desde que me conheço por gente. Assim, acho que na tarde do proximo domingo me dedicarei exclusivamente ao futebol argentino, outra das minhas paixões.
VERME BRANCO






