
Há 101 anos nascia em Portugal a inacreditável Carmem Miranda. Na feliz definição de Ruy Castro, a brasileira mais famosa do século XX. Aqui no blog já houve ocasiões em que falei sobre como vejo a importância dela na história da nossa música, e também rebati as idiotices sobre ela ter se americanizado. Hoje quero só falar das qualidades dela.
Carmem Miranda não foi a cantora mais potente que tivemos, nem a que teve a voz mais bonita. Há um punhado de cantoras que são superiores nos dois itens (Clara Nunes, Elisete Cardoso e Elis Regina, por exemplo). Só que Carmem Miranda era simplesmente insuperável em termos de ginga, ritmo e malícia. Aproveitou com perfeição o divino repertório de sambas e marchas de seu tempo para ensinar aos brasileiros o que era música brasileira.
Mas tem mais. Ela e as câmeras tinham uma paixão recíproca incrível. Ela era perfeita para cantar e dançar em frente a uma tela. Para nossa desgraça, a produção nacional de filmes da época era desastrosamente ruim, as imagens eram horríveis e os filmes ainda por cima desapareceram ou muito mal se localizaram algumas partes semi-destruídas. Nesse sentido a ida dela para os EUA teve um grande lado positivo. Muitas vezes cantou coisas abaixo do nível de seu repertório brasileiro, e os acompanhamentos são mais para rumba, mas nos possibilitou vê-la maravilhosa, insuperável nas telas de cinema.
Abaixo vão alguns exemplos. Os dois primeiros em filmes nacionais. Particularmente lamentável é “Querido Adão”, em Alô Alô Carnaval, com péssima imagem e sincronização, mas com Carmem Miranda atuando e cantando de forma espetacular; depois “O Que é Que a Baiana Tem?”, de Banana da Terra, menos ruim. Depois duas cenas da fase norte-americana. Primeiro “Tico-Tico no Fubá”, com uma atuação avassaladora em canto e performance corporal, a meu ver um dos pontos altos de sua carreira. E depois “South American Way”, que fez a fama dela nos states.
VERME BRANCO






