A Hora da Verdade

Postado em futebol com as tags em Novembro 29, 2009 por 171nalata

O Brasileirão chega à última rodada com quatro times disputando o título, o que é muito legal. No entanto, seria estupidez não admitir que na prática a disputa está mais restrita. Na hipótese improvável de o Flamengo não bater os reservas do Grêmio no maracanã lotado, o Internacional não deixará de vencer o rebaixado Santo André em casa. Palmeiras e São Paulo, que tiveram o título nas mãos, se aferram apenas à matemática. Não é impossível, mas é completamente improvável que cheguem lá.

Entre os postulantes, acho que o título do Flamengo é o que mais bem faz ao futebol. Reasgata um tradicionalíssimo clube cheio de títulos, que tem a maior torcida do país, mas que parecia conformado a um papel coadjuvante no plano nacional. Traz de volta o Rio de Janeiro ao centro do futebol brasileiro, algo que eu cheguei seriamente a duvidar que fosse acontecer de novo.

Mas também não se pode esquecer o tipo de futebol que os postulantes ao título praticam. São Paulo e Palmeiras têm a mesma receita: acham que para ser campeão é preciso não jogar futebol. Nessa visão, a melhor maneira de vencer é marcar muito, e quando se toma a bola sai todo mundo correndo em alta velocidade tentando jogar a bola de qualquer jeito na área e rezar para sobrar pra alguem botar pra dentro.

O Internacional tinha jogadores para praticar algo mais interessante, mas renunciou a isso. Nos tempos de Tite ficavam 8 jogadores do meio de campo para trás esperando o trio ofensivo resolver sozinho, o que eventualmente faziam até de forma encantadora. Com Mário Sérgio o trio se resumiu a uma dupla. Ficou ainda mais pobre.

O Flamengo não tem nada demais, não encanta ninguém. Mas pelo menos tenta jogar futebol. Como não é um time dos mais fortes, nem sempre consegue. Mas sempre tenta. Marcar na bola, tocar a criança de pé pra pé, esperar o momento de definir, esse tipo de coisa. Não é nada demais, mas é algo que eu consigo reconhecer como futebol. Não um grande futebol, mas futebol. Já é alguma coisa.

O único problema é que odeio o Flamengo de forma visceral desde que me conheço por gente. Assim, acho que na tarde do proximo domingo me dedicarei exclusivamente ao futebol argentino, outra das minhas paixões.

VERME BRANCO

Loucuras da Internet

Postado em Papo Cabeça com as tags em Novembro 29, 2009 por 171nalata

Hoje tive a idéia de navegar pela blogsfera para ver a repercussão do texto publicado na Folha de São Paulo acusando Lula de ser estuprador. Após horas sendo levado de um lado para outro, acabei ficando muito impressionado com duas coisas.

Primeiro, a incrível radicalização política que vivemos no momento. De um lado, há um monte de gente que assume o lado governista sempre pronto a argumentar que qualquer coisa que se diga da gestão Lula faz parte de um complo interplanetário que controla a mídia brasileira e quer impedir o país de ir para a frente. Do outro, pessoas que invariavelmente partem do pressuposto de que Lula é corrupto e incompetente, e que o país só alcançará a redenção quando a oposição chegar ao poder.

Segundo, a quantidade de pessoas com idéias estapafúrdias. Há todo o tipo de maluco escrevendo qualquer coisa, e geralmente achando que estão revelando os mistérios do universo a seus leitores. Há um monte de pessoas histéricas e descontroladas que tentam copiar o estilo Veja e acabam soando patéticas. Tem os esquerdistas lunáticos que acham que tudo aponta para uma crise generalizada do capitalismo. Tem os liberais extremistas que acham que tudo é culpa do Estado (o melhor de todos é um que prova isso com o argumento de que os tubarões estão em extinção mas os bois não; isso prova que a administração privada é mais eficiente, kkkkkkkkkkkkk).

Este último aspecto me deixa confuso sobre a internet. Por um lado acho saudável e democrático que qualquer um possa dizer o que pensa. Por outro, me sinto desconfortável em saber que essas pessoas estão escrevendo esse tipo de coisa. Acho que o primeiro sentimento predomina, mas às vezes aparece o segundo.

Me preocupei mais com o primeiro aspecto que apontei. Divisões políticas muito marcadas assim costumam levar à radicalização. Aí cria-se um clima onde a convivência é impossível. Para completar só falta um dos dois lados produzir um carismático e convincente o bastante para “salvar” o país de correr o risco de ser governado pelo lado inimigo. E muita gente passa a ver a democracia como algo não tão importante assim. Pronto, chegamos a 31 de março de 1964 de novo.

Sei que pode parecer histeria minha, e muitos vão achar que acrescentei mais um post lunático à blogsfera. Mas é um temor para o futuro, não para agora. E deixo uma pergunta: e se FHC ou Lula tivessem tentado conseguir o direito de disputar mais um mandato voce não acha que muita gente acharia as regras democráticas menos importantes do que as “necessidades do país”?

 VERME BRANCO

O Real Estupro

Postado em Papo Cabeça, mídia com as tags em Novembro 27, 2009 por 171nalata

Pra quem não sabe, hoje a Folha de São Paulo publicou um artigo de César Benjamin, ex-prisioneiro político, ex-militante do PT, candidato a vice na chapa de Heloísa Helena em 2006. No artigo, é narrada uma história ocorrida em 1994, na qual Lula teria contado sua tentativa de estuprar um jovem militante em 1980, quando estava na prisão.

Não há como ler o artigo sem sentir o estomago embrulhado. Benjamin escreve um texto absolutamente vago e impreciso. A história tem vários personagens, dos quais Benjamin não lembra o nome de nenhum. As testemunhas da conversa também escaparam da memória do autor do texto. Sem falar que é uma história de 15 anos, durante os quais Benjamin nunca abriu a boca e guardou a indignação para si. Por que contar agora? E por que diabos o maior jornal do país abre suas páginas para uma acusação tão grave sem apresentar qualquer comprovação?

Por outro lado, a turma do Lula reagiu em cima da jogada. Apontaram tudo o que escrevi acima (o que é óbvio), acrescentaram que Lula jamais foi próximo a Benjamin, e estranham que resolvesse contar essa história logo a ele. Estranham ainda que essa história, de quase 30 anos, seja completamente desconhecida até hoje, e que apenas Benjamin soubesse dela. Alguns ainda acrescentam tolices como “podia ser uma brincadeira de metalúrgico” (só metalurgicos fazem piadas idiotas??), e coisas assim.

Se eu pudesse arriscar, diria que essa história tem tudo para ser mentirosa e não deve ir muito longe. O que me aborrece de fato é o clima de fla-flu que, como já escrevi aqui, tomou conta da política brasileira. A patota governista decidiu de antemão que é tudo mentira, e que se for verdade, era apenas piada. A oposição só quer acusar, sem ter a mais vaga idéia se é algo com um minimo de fundo de verdade. Não apenas os políticos: a mídia e a opinião pública também estão divididos e já sabem o que pensam de antemão. Se oposição, Lula é culpado de qualquer coisa, até da bomba de Hiroxima. Se é situação, o homem é sempre inocente.

Ninguém está tentando saber o que realmente importa, que a resposta a duas perguntas básicas: a história de Benjamin é verdadeira? se for, isso tem alguma importância? Infelizmente não parece ser momento de querer olhar as coisas de modo profundo. Só se abre a boca pra defender seu lado e tentar aniquilar o outro. Mais nada.

VERME BRANCO

Weiss Bier- Cerveja Versátil e ainda com opção…

Postado em Uncategorized em Novembro 27, 2009 por 171nalata

As cervejas de Trigo (Weiss Bier) são famosas por possuírem características peculiares e por um rigoroso padrão de sabores e aromas. A diferença entre as cervejas deste estilo encontradas no mercado é bem pequena, geralmente tendo como variável significativo o corpo (umas mais encorpadas, outras bem mais suaves), no aroma também pode-se perceber diferenças mas estes são bem mais sutis.

Isso se deve ao fato de este estilo pertencer a tradicional escola alemã e assim seguir a Lei de Pureza (Reinheitsgebot ,1516) que especifica apenas o uso de Água, malte (Cevada e trigo), Lúpulo (Alemão) e levedura. Sendo assim, das comerciais encontradas com facilidade, você dificilmente encontrará muito diferença. Apenas na cerveja Licher pode-se perceber claramente um leve caramelado no sabor:

Outro problema é a drinkability. Por mais que muitos rotulem as WeissBier como cervejas fáceis para se beber, é só você tirar um dia para beber somente este estilo que perceberá que não é bem assim. Apesar de ser de baixo teor alcoólico e ser refrescante, possui um corpo denso e aroma muito definido e carregado (notas de banana, pão e cravo geralmente predominam), isso depois de umas quatro garrafas…

Apesar disso, as cervejas de trigo possuem muita versatilidade quando o assunto é harmonização. Uma de suas principais características é a ótima carbonatação e isso lhe permite uma ótima variação na hora de escolher o prato para acompanhar.

Falke Weiss Estada real & Frango ao molho Curry

Desde Salmão até carne de Aves em molhos ou Assados mais gordurosos podem compor um belo acompanhamento a esta cerveja.

Mas na minha viagem até a casa do velho Verme Branco, acabei conhecendo uma bela opção para beber inúmeras Cervejas de trigo: Kristall Weizen.
São versões de cervejas de trigo, mas filtradas. De aparência cristalina e corpo mais leve possuem uma carbonatação ainda maior e apesar de possuir as principais características aromáticas das weissbier, estes são menos intensos, proporcionando melhor drinkability. São saborosas e muito refrescante. Possuem a mesma versatilidade em harmonizações e são bem mais fáceis de beber.

Franziskaner Kristall

Grande parte das cervejas alemãs clássicas possuem a versão Kristall , no entanto nem todo supermercado possui tal versão, mas vale procurar. Numa tarde ensolarada esta breja cai muito bem.
Uma boa opção para não assustar nas primeiras garrafas é servir esta breja um pouco mais gelada (principalmente quando servida inteira na tulipa especial), assim na medida que for esquentando no copo você poderá sentir seus aromas.

Weiss Bier, Tradicional e Kristall… eu recomendo!

Barba Ruiva

Deus Salve o América!

Postado em futebol em Novembro 26, 2009 por 171nalata

Em 1960 o América vencia o Fluminense por 2 a 1 e vencia o campeonato carioca pela ultima vez. Ao encerrar-se o jogo, Waldyr Amaral inundou o rádio com a frase que dá título a este post. Frase que vêm à mente de todos ao ver o ameriquinha de volta a série A do campeonato carioca.

Eu sei que muita gente deve achar isso uma bobagem sem tamanho. O América era um time médio, hoje é apenas mais um time pequeno e sem qualquer chance de conquistar títulos. Por que comemorar sua volta a um campeonato que aliás já não é lá grande coisa?

Por duas razões. Primeiro, eu acho que futebol não se faz só com time grande. Esses times precisam ter rivais minimamente competitivos para causar problemas a eles. Se não um campeonato  vai se resumir aos clássicos e fica muito chato e previsível. O auge do campeonato carioca se deu precisamente quando não apenas os quatro gigantes estavam bem, mas também quando Bangu e América eram fortes. Concordo com Fernando Calazans quando ele diz que o futebol carioca começou a acabar quando esses dois clubes tão tradicionais perderam sua importância. Fazem falta, e a recuperação do futebol carioca passa por esses dois times.

Mas principalmente, é o máximo ver algo que não se enquadre nesse mundo tão utilitário em que vivemos. Vejamos Romário, por exemplo. Por que, após encerrar milionário sua vitoriosíssima carreira, ele viraria cartola de um time da segunda divisão carioca? Por que aquelas pessoas acompanharam esse timeco num torneio tão obscuro?

Por que graças a deus futebol não é só sobre vencer. É sobre paixão. O Santa Cruz colocar em média 35 mil pessoas por jogo numa primeira fase de série D, a saga americana na segunda divisão, os milhoes de brasileiros que alucinam por conta de pequenos times do interior, tudo isso mostra que essa visão estreita de só pensar em vitorias e titulos ainda não tomou conta do mundo. Felizmente.

VERME BRANCO

Quanto Melhor, Pior

Postado em futebol com as tags em Novembro 26, 2009 por 171nalata

Nossa mídia chapa-branca do futebol está exultante. A duas rodadas do fim do brasileirão há 4 clubes ainda com chances de título, e essa situação pode perfeitamente chegar à ultima rodada. Há quem reze para que os quatro cheguem empatados até o último jogo, o que é possível. Quem assiste à programação da Globo e do Sportv ouve o dia inteiro que isso faz do brasileirão o melhor campeonato do mundo. Será?

Nossos vizinhos argentinos vivem expectativa semelhante. A quatro rodadas do fim o Banfield lidera e pode conquistar o primeiro título nacional da sua história. Dois pontos atrás está o Newell’s Old Boys, e mais dois pontos abaixo o Cólon. Bem animado também. Mas os jogos são tão ruins quanto os nossos, senão piores. O Banfield, se conquistar seu título terá como herói ‘El Tanque’ Santiago Silva, um medíocre centroavante de passagem discreta pelo futebol brasileiro.

Na Europa o campeonato mais emocionante é o alemão, onde é comum dois ou três clubes chegarem disputando o título até o último minuto. Já o inglês, o italiano e o espanhol quase sempre se decidem antes, muito frequentemente 3 ou 4 rodadas antes.

É simples: quanto mais pobre o futebol, menos investimentos, menor diferenciação entre os clubes, campeonato mais equilibrado. Por baixo, claro. Quanto mais rico, mais investimentos, mais os grandes podem atrair craques que desequilibram os jogos e não dão chance para ninguém.

O brasileirão só é equilibrado porque não há bons times. Se tivessemos um time razoável disputando o brasileirão, seria campeão há várias rodadas. Emoção está sobrando, mas só porque não há qualidade.

VERME BRANCO

Deixando o Youtube Falar – a mágica de Joan Baez

Postado em música com as tags em Novembro 26, 2009 por 171nalata

Se alguém leu o post recente sobre Joan Baez sem conhece-la por certo deve ter achado que eu só posso ter exagerado. Na verdade eu fui economico. Baez é celestial. Meu espírito democrático se esvai no que tange a ela. Acho que quem a ouve e não a ama só pode ter algum problema. Bem, no espírito de usar o youtube para ilustrar o que digo, aqui vão vídeos dela cantando. Se achar que não é divino, o problema é seu:

“Donna, Donna”:

de Bob Dylan, “It Ain’t Me, Babe”, primorosa!

Finalmente, “The House of Rising Sun”.

Não sentiu nada? Problema seu. Achou que era Deus cantando? Bem vindo!

VERME BRANCO

Deixando o Youtube Falar – o velho rádio esportivo

Postado em futebol com as tags em Novembro 25, 2009 por 171nalata

Frequentemente posto aqui coisas com um certo incomodo. Pois claramente tento falar de coisas que muita gente nao conhece, e que são muito dificeis de serem traduzidas em palavras. Sempre achava que esses posts acabavam deixando algo a dever.

Pois bem, me lembrei de algo que já devia ter me ocorrido há tempos: usar o apoio o youtube. Nos próximos posts vou usar essa ferramenta maravilhosa para ilustrar coisas que já disse aqui, mas que devem ter soado como se eu estivesse escrevendo em chines.

Começando por um post recente sobre rádio esportivo. Às vezes escrevo sobre isso, principalmente por sentir que tenho uma dívida enorme com aquelas pessoas que foram amigas inestimáveis, que me conduziram pelo futebol, me ensinaram muito do que sei. Muitas já se foram, e sinto uma gratidão eterna por elas. Mas leitores mais jovens não fazem a menor idéia do que estou falando.

Abaixo um vídeo do youtube com os gols de Brasil e Uruguai, pela semifinal da copa de 1970. Primeiro aparece o gol do Uruguai, narrado pelo lendário Geraldo José de Almeida (então na TV Globo), que infelizmente não tive o prazer de apreciar ao vivo. Depois vem os gols brasileiros narrados por dois deuses: o técnico e preciso Waldyr Amaral e o potente e arrebatador Jorge Cury. Disputavam na época a liderança do rádio carioca, um na Globo, outro na Nacional. Em 1972 se juntariam na Globo, formando por 11 anos a maior dupla de narradores da história, um se encarregando de cada tempo. Ao lado deles aprendi a amar esse esporte. Publicando o vídeo abaixo vai uma pequena homenagem a esses genios.

Agora, aquele que foi o maior de todos, Armindo Antonio Ranzolin, titularissimo da Guaíba entre 1973 e 1984, e da Gaúcha entre 1984 e 1995. Aqui em seu maior momento, o gol do título da Libertadores em 1983, Gremio e Peñarol.

Finalmente outro gênio: Fiori Gigliotti. Titular da Rádio Bandeirantes por 33 anos seguidos, também esteve nas rádios Jovem Pan, Record e Tupi. Poético e preciso, era um monstro que maravilhou gerações. Aqui narra o primeiro gol do Internacional na decisão de 1976, contra o Corinthians. Mesmo em tom de funeral ele era sensacional.

Bem, sobre rádio era isso. Nos próximos dias usarei novamente o youtube para ilustrar coisas que já postei antes. Aguardem.

VERME BRANCO

Dentro e Fora do Campo

Postado em futebol com as tags em Novembro 24, 2009 por 171nalata

Em 38 edições disputadas, apenas duas vezes o brasileirão parou nas mãos de um clube que tinha um técnico campeão brasileiro como jogador. Em 1982, Paulo César Carpeggiani chegou como técnico do Flamengo ao título que já havia conquistado como meiocampista (Internacional 75/76, Flamengo 80). Em 2002, Émerson Leão comandou o Santos de Diego e Robinho na campanha do título, que também havia vencido três vezes como goleiro (Palmeiras 72/73, Grêmio 81). Joel Santana, campeão de 2000 pelo Vasco fez parte da campanha do mesmo clube em 1974, mas não como titular. Muricy era do grupo do São Paulo campeão em 1977, mas estava contundido e não jogou.

Neste brasileirão é quase certo que teremos um terceiro nome nessa lista. À frente do São Paulo vem Ricardo Gomes, zagueiro do Fluminense campeão em 1984. Comandando o Flamengo temos o multicampeão Andrade (Flamengo 80/82/83/87, Vasco 89). E no Internacional há Mário Sérgio, ponta-esquerda do colorado campeão invicto de 1979.

Mais que isso, foram ótimos jogadores. Ricardo Gomes era um grande zagueiro que nunca deixou o Fluminense tomar um gol de Romário, foi titular na copa de 199o e teria sido capitão em 1994 se não tivesse se contundido. Andrade era um tremendo volante, que por razões que jamais entenderei não teve muitas chances na seleção. Mário Sérgio era talentosíssimo, e só não teve carreira na seleção por sua carreira errática e irregular, pelo temperamento explosivo e pela imensa concorrência que havia em sua posição.

É bom ver ex-jogadores de alto nível à beira do campo. Antigamente isso era normal: Evaristo de Macedo, Zagallo, Tim, Didi e Zizinho foram grandes craques que se destacaram como treinadores. Nas últimas décadas isso parecia superado. Parecia haver uma lei dizendo que para ser técnico bom o camarada tinha de ter sido um mediano ou fraco jogador de defesa.

Talvez estejamos testemunhando uma mudança de mentalidade. Além dos três citados, temos em ação no brasileirão o excelente meiocampista Silas (copas de 86 e 90) como técnico revelação pelo Avaí e o talentoso  zagueiro Adílson Batista levando o Cruzeiro à final da Libertadores.

Nada contra ex-jogadores médios ou fracos como técnicos. Luxemburgo e Felipão, por exemplo, são excelentes treinadores. Mas é bom ver que o futebol está atraindo ex-craques para a função de treinador. Acho que só temos a ganhar com isso.

VERME BRANCO

Adeus a Darwin?

Postado em Papo Cabeça com as tags em Novembro 24, 2009 por 171nalata

Não aguento mais ouvir falar sobre os 200 anos do nascimento de Darwin e dos 150 anos do livro que lançou os fundamentos da evolução. Principalmente porque muitos tem aproveitado essas datas redondinhas para discutir o absurdo debate sobre o fato de algumas denominações religiosas quererem permitir o ensino do criacionismo nas escolas.

Isso é absurdo em primeiro lugar por razões educacionais. Estudos têm apontado que um dos pontos fracos do nosso ensino é a total ausência de uniformidade curricular. Cada escola ensina o que dá na telha. Se voce sai de uma escola para outra, pode encontrar um conteúdo totalmente diferente. Assim, ter uma escola ensinando a evolução das espécies nas aulas de ciência, e outra ensinando criacionismo na mesma disciplina, é uma loucura total.

Sem falar que os criacionistas tentam emplacar o seguinte argumento: evolução e criacionismo são duas teorias rivais que tentam explicar um mesmo fenômeno. Proibir o ensino do criacionismo  seria uma escolha arbitrária do Estado, com um fundo de perseguição a crenças religiosas. Seria um argumento até progressista. Mas não é nada disso.

Primeiro, não são duas teorias concorrentes. Todos os pesquisadores não vinculados a essas denominações religiosas concordam que a questão está liquidada há muito tempo. Só defende criacionismo (e suas variantes) quem é totalmente ligado a esses grupos religiosos. Nenhum especialista discorda que é uma visão religiosa, e não científica.

Segundo, ninguém proíbe que essas religiões preguem o que acreditam. Apenas não se quer que crenças religiosas sejam apresentadas como se fossem ciência. No dia em que as religiões tiverem o poder de passar por cima de todas as evidências científicas e impor sua visão religiosa como se fosse ciência, o mundo está perdido. Nossas crianças aprenderão que homossexuais são o mal do século, que macumba é coisa do diabo e outras coisas do gênero.

Essa batalha do criacionismo é só a primeira. Se eles vencem, vão querer empurrar todo esse lixo para nossas escolas. Cuidado, minha gente.

VERME BRANCO